
Relatório da Quaest atribuiu nota 6 ao senador, contra 5,2 do presidente, no confronto realizado na sexta-feira (23); levantamento também apontou diferenças de desempenho conforme o perfil político dos participantes.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu avaliação superior à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os eleitores classificados como independentes no debate presidencial exibido pela TV Globo na sexta-feira (23 de outubro). Segundo relatório da Sala de Debate da Quaest, Flávio obteve nota 6, enquanto Lula recebeu 5,2 nesse segmento.
A análise avaliou as falas dos dois candidatos durante o confronto e dividiu os participantes em cinco grupos: lulistas, eleitores de esquerda, independentes, eleitores de direita e bolsonaristas. Os resultados mostram diferenças significativas na percepção dos argumentos apresentados pelos candidatos, de acordo com a identificação política dos avaliadores.
Lula tem vantagem entre eleitores de esquerda
Entre os participantes mais alinhados à esquerda, Lula apresentou as melhores avaliações. O presidente recebeu nota 8,7 entre lulistas e 6,5 entre eleitores de esquerda. Flávio Bolsonaro, por sua vez, registrou notas 3,4 e 4,2, respectivamente.
O cenário foi diferente entre os independentes e os grupos identificados com a direita. Além de superar Lula entre os eleitores sem alinhamento político definido, Flávio recebeu nota 7,4 entre os eleitores de direita, contra 3,9 do presidente.
Entre os bolsonaristas, o senador alcançou nota 9, enquanto Lula recebeu nota 3.
Saúde, corrupção e impostos marcaram momento de destaque de Flávio
Um dos momentos mais bem avaliados de Flávio Bolsonaro ocorreu no segundo bloco do debate, quando respondeu a questionamentos de Lula sobre suas propostas para a saúde pública.
Na ocasião, o senador afirmou que promoveria um “tesouraço” na corrupção, na burocracia e nos impostos. Também criticou o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS), mencionando problemas como a falta de medicamentos e as filas para atendimentos especializados.
De acordo com o levantamento, essa intervenção recebeu nota geral 8,1. Entre os independentes, a avaliação foi 6,7. O trecho alcançou nota 7,9 entre eleitores de direita e 9 entre bolsonaristas.
Outro momento destacado ocorreu durante a discussão sobre o poder de compra dos brasileiros. Flávio relacionou a perda de renda das famílias aos gastos públicos e à taxa de juros, atribuindo responsabilidade ao atual governo. A fala recebeu nota 8,6 entre bolsonaristas e 6,5 entre eleitores de direita.
Quaest aponta diferenças por tema
A análise também avaliou o desempenho dos candidatos em diferentes assuntos discutidos durante o debate. Segundo o relatório, Flávio Bolsonaro teve vantagem nos temas política e alianças, segurança pública, infraestrutura e mobilidade, além de assistência social e pobreza.
Lula foi apontado como destaque nas discussões sobre emprego e renda, saúde, agronegócio, indústria e desenvolvimento.
Já os temas corrupção e integridade, economia e custo de vida e educação foram classificados como disputados, sem predominância clara de um dos candidatos na avaliação apresentada pelo instituto.
Avaliação não representa intenção de voto
A Sala de Debate da Quaest não mede intenção de voto e seus resultados não devem ser interpretados como uma previsão do resultado eleitoral. O levantamento busca avaliar a reação dos participantes às falas dos candidatos durante o confronto televisivo.
Conforme a metodologia descrita no relatório, as intervenções receberam notas de zero a dez, acompanhadas de comentários. A avaliação geral foi calculada por meio de uma média ponderada pelos pesos dos diferentes segmentos político-identitários.
Os números oferecem um retrato da percepção dos participantes sobre o debate, mas não permitem concluir, isoladamente, que houve mudança na preferência eleitoral ou que o desempenho de um candidato determinará o resultado das urnas.
Fonte: Revista Oeste, com base no relatório da Sala de Debate da Quaest.
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